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As previsões de Os Simpsons: genialidade, coincidência ou exagero da internet?

As previsões de Os Simpsons: genialidade, coincidência ou exagero da internet?

A fama de bola de cristal e a sátira política

Poucas séries carregam uma fama tão curiosa quanto Os Simpsons. Para muita gente, a família amarela não é apenas uma das maiores comédias da televisão, mas quase uma bola de cristal animada.

Um dos exemplos mais famosos está no episódio Bart to the Future, exibido em 2000. Nele, Lisa aparece como presidente dos Estados Unidos e menciona ter herdado problemas do governo Trump.

Anos depois, Donald Trump realmente chegou à presidência, o que transformou a piada em uma das previsões mais comentadas da cultura pop. Só que existe contexto: Trump já era uma figura pública poderosa, midiática e politicamente especulada naquela época.

Segundo relatos, o roteirista Dan Greaney explicou que a ideia funcionava como um aviso satírico sobre um possível absurdo político americano, não como profecia mágica. A série apenas exagerou tendências reais que já estavam no ar.

Negócios, tecnologia e o olhar sobre o presente

Outro exemplo bastante lembrado é a compra da Fox pela Disney. Em um episódio de 1998, When You Dish Upon a Star, aparece uma placa mostrando a 20th Century Fox como uma divisão da Walt Disney Co.

Em 2019, a Disney concluiu a compra de grande parte dos ativos da Fox. Aqui, a coincidência é realmente saborosa, mas também nasce de uma lógica típica da série.

Os Simpsons sempre observaram a concentração de poder no entretenimento e exageraram isso em forma de piada. Não havia como saber o futuro, mas havia como notar o movimento das grandes corporações.

A tecnologia também entrou nessa lista. Fãs costumam citar episódios com relógios inteligentes, chamadas de vídeo e corretores automáticos problemáticos. O caso do autocorretor em Lisa on Ice ficou famoso porque mostra uma mensagem sendo alterada de forma errada em um aparelho portátil.

O peso da cultura pop e o exagero das redes

No mundo da cultura pop, Lady Gaga no Super Bowl também virou exemplo clássico. Em Lisa Goes Gaga, de 2012, a cantora aparece suspensa por cabos durante uma apresentação.

Em 2017, ela realmente fez uma performance aérea no show do intervalo do Super Bowl. É uma semelhança divertida, mas não tão sobrenatural quanto parece.

Gaga já era conhecida por apresentações grandiosas, teatrais e visualmente exageradas. A série apenas imaginou algo compatível com a artista, sem consultar o além.

O problema é que a internet transformou essa reputação em máquina de exagero. Hoje, qualquer imagem com traço parecido com Os Simpsons pode viralizar como previsão. Já circularam montagens falsas sobre pandemia, tragédias e eventos políticos que nunca apareceram na série.

Por que algumas piadas parecem profecias

E esse é o ponto mais importante: Os Simpsons não preveem o futuro. Os Simpsons entendem o presente. A série sempre foi genial em observar os vícios da sociedade americana.

Políticos oportunistas, empresários gananciosos, tecnologia invasiva e celebridades excêntricas sempre estiveram na mira do roteiro. Quando você satiriza tendências reais por mais de trinta anos, algumas piadas inevitavelmente acabam parecendo profecias depois.

Também existe matemática nisso. A série tem centenas de episódios e milhares de cenas sobre praticamente todos os temas imagináveis. Com tanto material, é natural que algumas ideias se aproximem de acontecimentos futuros.

O que viraliza são os acertos. Os erros, as piadas que nunca se concretizaram e os absurdos completos geralmente ficam esquecidos. Mas isso não diminui o brilho da série, que segue olhando para o mundo com sarcasmo, inteligência e uma boa dose de pessimismo cômico.

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