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Cruella foi uma das poucas adaptações live-action da Disney que realmente surpreenderam

Cruella foi uma das poucas adaptações live-action da Disney que realmente surpreenderam

Cruella conseguiu transformar uma vilã clássica da Disney em um filme surpreendentemente estiloso

Quando Cruella foi anunciado pela Disney, muita gente reagiu da mesma forma: “realmente precisava?”. Afinal, transformar a vilã de 101 Dálmatas em protagonista parecia uma ideia arriscada, principalmente depois de vários live-actions que acabaram parecendo versões visualmente bonitas, mas emocionalmente vazias.

Só que o filme dirigido por Craig Gillespie acabou surpreendendo bastante. Em vez de simplesmente recriar cenas clássicas ou depender apenas de nostalgia, Cruella decidiu construir praticamente uma nova identidade para a personagem. A história acompanha Estella, uma garota extremamente inteligente, criativa e rebelde que cresce tentando sobreviver em Londres enquanto luta para encontrar espaço no mundo da moda.

Aos poucos, acontecimentos traumáticos e conflitos pessoais começam a transformar aquela jovem talentosa na figura extravagante conhecida como Cruella de Vil. E sinceramente? O maior acerto do filme talvez seja justamente entender que Cruella funciona muito melhor como um drama estilizado sobre identidade, ambição e ego do que apenas como um “filme infantil da Disney”.

O longa também entende algo importante: a personagem precisava ter personalidade própria para sustentar um filme inteiro sozinha. E isso acaba funcionando muito melhor do que muita gente esperava antes do lançamento.

O visual de Cruella e a atuação de Emma Stone carregam boa parte da força do filme

Existe uma coisa impossível de ignorar em Cruella: o filme é visualmente absurdo. Figurinos, maquiagem, direção de arte, iluminação e trilha sonora trabalham juntos o tempo inteiro para criar uma atmosfera quase teatral. Em vários momentos, o longa parece misturar desfile de moda, guerra psicológica e performance artística dentro da mesma sequência.

As comparações com O Diabo Veste Prada fazem bastante sentido justamente por causa disso. A relação entre Cruella e a Baronesa funciona muito como um duelo de ego, poder e controle dentro do universo da moda. Só que aqui tudo é elevado ao máximo possível, quase como uma versão punk e caótica daquele ambiente.

Emma Stone também entrega uma atuação extremamente carismática. A atriz consegue equilibrar sarcasmo, fragilidade emocional e loucura performática sem deixar a personagem caricata demais. Boa parte do filme funciona porque ela claramente parece confortável demais vivendo aquela personagem exagerada, impulsiva e completamente teatral.

E honestamente? Quando Cruella abraça o exagero visual e deixa a personagem simplesmente causar caos na tela, o filme alcança seus melhores momentos.

Cruella tem problemas no roteiro, mas ainda assim virou um dos live-actions mais interessantes da Disney

Uma das discussões mais fortes envolvendo Cruella gira em torno da tentativa de humanizar uma personagem originalmente conhecida por literalmente querer transformar cachorros em casaco. Em vários momentos, o filme parece funcionar quase como uma versão Disney de Coringa, mostrando uma personagem emocionalmente quebrada sendo consumida pela própria identidade mais extrema.

O problema é que o roteiro às vezes tenta explicar absolutamente tudo sobre a vilã. Algumas revelações parecem exageradas demais e existem trechos em que a narrativa claramente fica mais longa do que precisava. O filme também tenta suavizar certas características da personagem para deixar a protagonista mais “aceitável” para o público.

Mesmo assim, Cruella continua funcionando porque possui algo que vários live-actions recentes da Disney não conseguiram encontrar: personalidade própria. O longa não parece apenas uma recriação segura do desenho original. Existe identidade visual forte, direção estilizada e uma energia muito específica guiando a produção.

No fim, Cruella acabou se tornando uma das adaptações mais interessantes da Disney justamente porque decidiu arriscar mais. O filme possui falhas, exagera em alguns momentos e claramente divide opiniões em certas escolhas. Mas pelo menos entrega algo com identidade, estilo e presença própria e isso já coloca o longa acima de muita adaptação esquecível do estúdio.

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