O Homer das primeiras temporadas era mais humano e emocional
Muita gente que revisita os episódios clássicos percebe isso rapidamente. Ele era mais humano e existia uma camada emocional muito mais forte de pai trabalhador tentando entender a vida.
O Homer dos anos iniciais era claramente menos caricatural. Ele trabalhava na usina nuclear do Mr. Burns, odiava boa parte da própria rotina e tomava decisões ruins com frequência.
Sua inteligência era extremamente discutível, mas ainda existia ali um homem tentando genuinamente fazer a coisa certa. Ele falhava espetacularmente no processo, e isso gerava alguns dos melhores momentos da série.
A dinâmica com a família entregava humor e coração na medida certa. O contraste entre a filha extremamente inteligente e o pai completamente perdido rendia momentos surpreendentemente emocionais com Lisa.
A transformação para um humor mais caótico e sem freio
Com o passar dos anos, Homer mudou bastante. Muito fã usa o termo “Jerkass Homer” para descrever a fase em que ele deixou de ser apenas um pai atrapalhado e passou a ser mais egoísta e exagerado.
Essa transformação aconteceu gradualmente. O Homer clássico era burro, mas adorável, enquanto o Homer de fases posteriores às vezes abraça um humor mais caótico e menos inocente.
Ele passou a agir de forma muitas vezes conscientemente absurda, o que divide opiniões entre os fãs. Tem quem prefira o Homer mais emocional e humano, e tem quem ame o Homer completamente sem freio.
Com Bart, a dinâmica clássica era caos puro, com perseguições e broncas. As famosas tentativas exageradas de estrangulamento, algo muito criticado hoje, frequentemente mostravam afeto por trás do absurdo.
O que faz Homer Simpson ser tão engraçado
Independentemente da fase, existe algo constante: ele é absurdamente engraçado. Homer funciona porque mistura impulsividade infantil com energia de adulto fracassado tentando sobreviver.
Ele reage exatamente do jeito mais errado possível em quase qualquer situação, e isso é ouro cômico. As expressões faciais, os surtos e o clássico “D’oh!” viraram identidade.
As decisões irracionais, a obsessão por comida e a relação quase espiritual com donuts também fazem parte do pacote. Tudo isso construiu um personagem que continua relevante décadas depois.
Com Marge, Homer sempre foi aquele marido que testa os limites da paciência humana diariamente. Como Marge nunca enlouqueceu oficialmente continua sendo um mistério, segundo a percepção de muitos fãs.
O pacote contraditório que explica a longevidade do personagem
Homer ama a família, mesmo sendo péssimo demonstrando às vezes. Ele tem momentos genuinamente emocionais com os filhos e é absurdamente leal em vários episódios.
Consegue ser surpreendentemente doce em momentos inesperados, mas também é preguiçoso, irresponsável e péssimo com dinheiro. Toma decisões ridículas e frequentemente age como se o cérebro tivesse pedido demissão.
Já colocou a família em situações completamente absurdas incontáveis vezes. Mas talvez seja justamente esse pacote contraditório que faz ele funcionar tão bem.
No fim, Homer não é engraçado porque é perfeito. Ele é engraçado porque é um desastre funcional que representa aquele caos humano universal, o adulto que claramente não tem todas as respostas.