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Por que Carros ainda é um dos filmes mais especiais da Pixar

Por que Carros ainda é um dos filmes mais especiais da Pixar

Relâmpago McQueen começa o filme sendo impossível de gostar

Relâmpago McQueen entra em Carros acreditando que o mundo gira ao redor dele. Ele é arrogante, egoísta e trata praticamente todo mundo como ferramenta para alcançar fama.

Logo no começo do filme, isso fica muito claro durante a corrida decisiva da Copa Pistão. McQueen se preocupa mais em aparecer sozinho nas propagandas do que em ouvir a própria equipe. Ele ignora os conselhos do pit stop, destrói os pneus porque quer continuar correndo e acaba empatando a prova por pura teimosia.

O filme faz algo muito inteligente aqui: ele não tenta transformar McQueen em herói imediatamente. A Pixar deixa o personagem irritante de propósito.

Radiator Springs muda completamente a vida dele

Tudo muda quando McQueen se perde na estrada e vai parar acidentalmente em Radiator Springs, uma pequena cidade praticamente esquecida no meio da Rota 66.

No começo, ele odeia aquele lugar. McQueen quer voltar imediatamente para a corrida decisiva na Califórnia e enxerga os moradores como atraso de vida.

Só que aos poucos o filme desacelera junto com ele.

É em Radiator Springs que McQueen conhece personagens como Mate, Sally e principalmente Doc Hudson, um antigo campeão de corrida escondendo um passado doloroso.

O filme fala muito sobre ego e propósito

Apesar de ser uma animação sobre carros falantes, Carros funciona porque fala sobre coisas extremamente humanas.

McQueen acredita que sucesso significa fama, troféus e aparecer na televisão. Radiator Springs mostra exatamente o contrário. A cidade está vazia porque o mundo moderno preferiu velocidade e atalhos, abandonando lugares simples e pessoas comuns.

Doc Hudson representa isso perfeitamente. Quando descobrimos que ele já foi um campeão famoso destruído pelo próprio meio das corridas, o filme ganha um peso emocional muito maior.

Ele reconhece em McQueen o mesmo ego que acabou destruindo sua carreira anos antes.

O final funciona justamente porque McQueen muda

Na corrida final, o filme poderia facilmente terminar com McQueen vencendo tudo e virando campeão. Só que Carros escolhe um caminho muito melhor.

Depois de passar o filme inteiro obcecado pela vitória, McQueen percebe que ganhar sozinho não significa muita coisa. Quando o Rei sofre um acidente pesado na última volta, McQueen literalmente para perto da linha de chegada para ajudar o adversário a terminar a corrida.

É uma cena simples, mas resume completamente o crescimento do personagem.

O antigo McQueen jamais abriria mão de uma vitória por outra pessoa.

Carros é muito melhor do que parece

Muita gente olha para Carros apenas como “o filme dos carrinhos da Pixar”, mas ele funciona justamente porque existe sinceridade emocional na história.

O filme fala sobre amadurecimento, sobre aprender a desacelerar e sobre perceber que conexões reais importam mais do que reconhecimento vazio.

E tudo isso sem perder o humor, as corridas divertidas e o carisma absurdo do Mate.

Mesmo anos depois do lançamento, Carros continua sendo um daqueles filmes que parecem simples na infância, mas ficam muito melhores quando você entende o que ele realmente está tentando dizer.

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