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Tá Chovendo Hambúrguer ainda é uma das animações mais criativas dos anos 2000

Tá Chovendo Hambúrguer ainda é uma das animações mais criativas dos anos 2000

Tá Chovendo Hambúrguer tem uma das premissas mais malucas das animações

Existem filmes que já ganham atenção só pelo nome, e Tá Chovendo Hambúrguer definitivamente entra nessa categoria. Afinal, é impossível ouvir esse título pela primeira vez sem pensar: “Como assim está chovendo comida?”. E honestamente? O mais impressionante é que o filme consegue transformar essa ideia completamente absurda em uma animação extremamente divertida.

Lançado em 2009 pela Sony Pictures Animation, o longa acompanha Flint Lockwood, um inventor que mora em Boca da Maré, uma pequena cidade que praticamente sobrevive vendendo sardinha. O problema é que ninguém mais suporta sardinha naquele lugar. Tem sardinha no café da manhã, no almoço, no jantar e provavelmente até no sorvete.

Flint sempre sonhou em criar algo grandioso, mas praticamente todas as invenções dele acabam dando errado de maneira humilhante. Tem spray que vira sapato permanente, televisão dentro do corpo de rato e várias outras ideias que parecem ter sido criadas às três da manhã depois de alguém tomar energético demais.

Só que tudo muda quando ele finalmente cria uma máquina capaz de transformar água em comida. O experimento acaba indo parar nas nuvens e, do nada, hambúrgueres começam a cair do céu. E é exatamente nesse momento que o filme abraça totalmente a própria loucura.

O filme cresce justamente quando exagera sem medo

No começo, a ideia de comida caindo do céu parece perfeita. A cidade vira atração turística, as pessoas finalmente comem coisas diferentes e Flint se transforma no grande herói local. Tem cheeseburger gigantesco, sorvete nevando nas ruas e cachorro-quente literalmente despencando das nuvens.

O mais divertido é que o filme trata tudo isso como se fosse um grande desastre climático. Em vez de chuva forte, aparecem panquecas gigantes esmagando carros. Em vez de neve, cai purê de batata. É praticamente um filme-catástrofe, só que trocando meteoros por almôndegas.

E quanto mais exagerado fica, melhor funciona. Existe uma sequência em que uma torrente gigantesca de suco atravessa a cidade inteira como se fosse tsunami. Em outra cena, Flint tenta sobreviver em meio a uma tempestade absurda de comida gigante enquanto tudo ao redor parece estar entrando em colapso.

O longa entende perfeitamente que sua maior força é justamente o absurdo. Em nenhum momento ele tenta parecer realista demais. Pelo contrário. A animação aposta totalmente no caos visual, nas piadas rápidas e nas situações ridículas, e isso deixa tudo muito mais divertido.

Flint Lockwood é um protagonista muito mais divertido do que parece

Boa parte do sucesso de Tá Chovendo Hambúrguer acontece porque Flint é aquele tipo de personagem impossível de odiar. Ele é inteligente, criativo e completamente desajeitado socialmente. O cara passa metade do filme tropeçando, errando frases ou ficando empolgado demais com ciência enquanto todo mundo ao redor fica confuso.

Diferente de vários protagonistas “gênios” das animações, Flint realmente parece alguém que cresceu isolado tentando impressionar os outros. Desde criança ele cria invenções absurdas acreditando que um dia finalmente será reconhecido pela cidade. O problema é que quase tudo explode antes disso acontecer.

A relação dele com o pai também ajuda bastante o filme. Tim Lockwood é aquele pai fechado, que fala pouco e claramente não entende metade das invenções do filho. Só que existe um esforço genuíno ali tentando acontecer, mesmo quando os dois parecem incapazes de conversar normalmente por mais de dois minutos.

E claro, também existe Sam Sparks, a repórter do clima que inicialmente parece apenas a típica personagem energética de desenho infantil. Só que o filme acerta ao transformar ela em alguém tão nerd quanto Flint. Os dois funcionam juntos justamente porque compartilham a mesma energia esquisita.

A animação mistura humor infantil com piadas muito inteligentes

Muita gente acha que Tá Chovendo Hambúrguer é apenas um filme infantil aleatório sobre comida gigante, mas boa parte das piadas funciona ainda melhor para adultos. Existe humor físico para crianças, mas também várias referências escondidas e situações absurdamente específicas acontecendo ao fundo das cenas.

O prefeito da cidade, por exemplo, começa como alguém aparentemente simpático e aos poucos vira praticamente um vilão movido por hambúrguer e ego. Quanto mais sucesso Boca da Maré faz, mais ele perde completamente a noção. Tem uma hora em que o personagem literalmente entra em colapso tentando comer sem parar.

Outro detalhe divertido é como a animação transforma comida em espetáculo visual. As cenas parecem comerciais gigantescos completamente surtados. O hambúrguer brilhando no céu, a chuva de sorvete cobrindo carros e os pratos gigantes voando pela cidade deixam tudo visualmente muito marcante.

Além disso, o ritmo do filme ajuda muito. Ele praticamente não para. Sempre existe alguma invenção falhando, alguma comida destruindo coisas ou algum personagem surtando em níveis desnecessários. Isso faz com que a animação continue divertida até mesmo reassistindo vários anos depois.

Vale a pena assistir Tá Chovendo Hambúrguer hoje?

Vale bastante. Principalmente porque o filme continua extremamente criativo mesmo depois de tantos anos. Em uma época cheia de animações tentando copiar fórmulas parecidas, Tá Chovendo Hambúrguer abraçou uma ideia completamente aleatória e conseguiu transformá-la em algo realmente memorável.

Outro ponto importante é que o humor envelheceu muito bem. Flint continua engraçado, as invenções absurdas ainda funcionam e várias cenas permanecem caóticas no melhor sentido possível. O filme claramente foi feito por gente que queria exagerar tudo ao máximo — e isso aparece o tempo inteiro.

Também ajuda bastante o fato de a animação ter personalidade própria. Visualmente, ela não tenta parecer ultra realista. Os personagens possuem expressões exageradas, movimentos quase cartunescos e uma energia muito específica que combina perfeitamente com a proposta maluca da história.

No fim, Tá Chovendo Hambúrguer vale a pena porque entrega exatamente aquilo que promete: diversão, caos, comida gigante e personagens extremamente carismáticos. E sinceramente? Qualquer filme que consiga transformar uma tempestade de hambúrguer em cena épica já merece pelo menos uma chance.

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